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No Brasil, 6 milhões de mulheres convivem com a endometriose. Mas afinal, o que é endometriose?

Utero

A endometriose é uma doença caracterizada pela presença do tecido do endométrio fora do útero, podendo acometer diversos órgãos da pelve, como os ovários, as tubas, superfície do útero e órgãos não ginecológicos, como o intestino, a bexiga e os ureteres.

O endométrio é o tecido de revestimento interno do útero e é fundamental para que ocorra a gravidez e todos os meses, ao iniciar um novo ciclo menstrual, inicia-se o desenvolvimento de um novo endométrio dentro do útero. Quando o organismo, através de mecanismos hormonais, detecta a informação de que não houve fecundação (formação de embrião através da união entre um óvulo e um espermatozóide), o endométrio se descama (descola) totalmente da parede do útero e se inicia o que todos conhecem por menstruação.

A menstruação representa o início de um novo ciclo menstrual, ou seja, do desenvolvimento de um novo óvulo dentro dos ovários e do crescimento de um novo endométrio dentro do útero.

É uma doença hormônio-dependente, associado à produção do hormônio feminino, o estrogênio, e por isso acomete as mulheres na fase reprodutiva da vida, ou seja, enquanto menstruam, poupando crianças e mulheres na pós-menopausa.

No Brasil e no mundo
No Brasil e no mundo:

Aproximadamente 6 milhões de mulheres brasileiras sofrem de Endometriose. No mundo, são cerca de 176 milhões.

Principais sintomas
Principais sintomas:

A endometriose acontece cerca de 10% das mulheres em idade fértil.

Diagnósticos
Diagnósticos:

Existe um caráter hereditário na endometriose: se a mãe ou a irmã de uma mulher possui a doença, ela tem um risco sete vezes maior de desenvolvê-la.

Principais sintomas

1. Cólica menstrual intensa

O principal sintoma é sem dúvida a cólica menstrual. Sempre que a mulher tiver cólicas de difícil tratamento com as medicações convencionais deve-se suspeitar de endometriose. Uma das principais causas da demora no diagnóstico da doença é a não valorização adequada da cólica menstrual.

Mas, toda mulher que tem cólica tem endometriose? Não! É diferente a cólica “normal” da cólica de endometriose. Como distinguir? As cólicas ditas normais, são de leve intensidade, duram no máximo dois dias, e a mulher, quando necessário toma um antiespasmódico, analgésico ou antiinflamatório e a cólica passa, ou melhora bastante.

Já aquelas que tem dores por período de tempo prolongado, quadros de cólica em que a mulher apresenta palidez, sensação de pressão baixa, esforço para permanecer no trabalho, impactando a qualidade de vida, provavelmente podem ser sintomas da endometriose. Se a cólica já existe há algum tempo, os analgésicos e antiinflamatórios já não aliviam muito, às vezes precisa ficar de cama durante a menstruação, converse com seu ginecologista sobre endometriose! Lembrar sempre: Cólicas que não melhoram com as medicações antiespasmódicas, antiinflamatórias ou com pílula anticoncepcional, não são normais!

Por que as mulheres com endometriose têm cólicas? Os implantes da doença localizados no peritônio funcionam de forma semelhante ao endométrio normalmente localizado. Ou seja, responde aos estímulos hormonais e, portanto, “menstrua” no final do ciclo menstrual. Esta menstruação no local errado leva a dor principalmente devido à secreção de uma substância denominada prostaglândina. A prostaglândina irrita os receptores para a dor presentes no peritônio, e como isso acontece concomitante ao fluxo menstrual a paciente refere cólica durante o fluxo menstrual.

2. Dor pélvica acíclica

Dor pélvica acíclica é aquela que acontece fora do período menstrual como por exemplo a dor no período ovulatório ou meio do ciclo menstrual. Nesse período, algumas mulheres sentem dor, enquanto outras têm sintomas durante todo o mês, ainda que com menor intensidade. É como se durante todo o mês, permanecesse um sintoma de latejamento da região pélvica, que piora consideravelmente quando a menstruação se aproxima.

3. Dor na relação sexual

Cerca de 55% dos focos de endometriose ocorrem na região retrocervical (atrás do colo do útero) promovendo retrações do ligamento uterossacro e diminuindo a mobilidade uterina. Durante o ato sexual haverá uma movimentação dessa região que se encontra inflamada, causando dor. Isso prejudica enormemente a qualidade de vida do casal, por limitar as mulheres com essa queixa a alcançar o prazer sexual (orgasmo) devido às dores concomitantes.

4. Alteração urinária cíclica
Os sintomas aparecem durante o ciclo menstrual, quando as portadoras apresentam fortes dores ao urinar ou mesmo quando estão com a bexiga cheia, além de em alguns casos, apresentarem sangramento por via urinária. O sangramento por via urinária no período menstrual pode ser indício de endometriose de bexiga. O processo se desenvolve com a endometriose crescendo no peritônio que reveste a cavidade abdominal, infiltrando a parede da bexiga e chegando ao seu interior.

5. Alteração intestinal cíclica

A endometriose pode causar alterações intestinais cíclicas, que acontecem especificamente quando se aproxima o período menstrual ou durante a menstruação, e podem se manifestar como diarréia ou constipação, dor ao evacuar em forma de pontadas no reto, sensações de vontade de evacuar súbita sem no entanto conseguir finalizar a evacuação propriamente dita e também pode promover o sangramento por via retal.

A diarréia cíclica pode estar relacionada a focos superficiais da endometriose, onde o processo inflamatório regional irrita o intestino e este, solta na hora que a mulher fica menstruada. Isto significa que não são apenas mulheres com doença grave com infiltração profunda da parede do intestino, as que evoluem com sintomas intestinais.

Já as dores mais agudas estão normalmente relacionadas à endometriose profunda. Durante o ciclo menstrual, a mulher sente dores no ânus e apresenta tenesmo (espasmo doloroso com desejo de evacuar, embora o reto esteja vazio, ou evacuação incompleta). Os sintomas são bastante parecidos com uma cólica intestinal.

6. Infertilidade

Endometriose e infertilidade estão muito associadas. Cerca de 60% das mulheres com endometriose tem alguma dificuldade para engravidar. Os principais motivos de como a endometriose pode levar à infertilidade são:

Distorções anatômicas - Mulheres com endometriose podem ter obstruções e aderências nas trompas e nos ovários. Isso altera a sua anatomia e pode impedir que o óvulo se encontre com os espermatozoides. Esta é uma das principais razões da infertilidade em quem tem endometriose.

Modificações inflamatórias - A endometriose gera a produção de substâncias e células inflamatórias na cavidade pélvica que interferem significativamente na fertilidade. Essas inflamações levam a alterações na qualidade dos óvulos, no transporte dos óvulos e embriões e na sobrevivência dos espermatozoides que tentam chegar até o óvulo. Por isso, este é mais um fator importante que influencia na fertilidade de mulheres com endometriose.

Desordens de implantação embrionária - A endometriose influencia o funcionamento dos hormônios, levando à produção local de estrogênio e a resistência à progesterona. Isso altera o processo de implantação do embrião dentro do útero diminuindo as chances de gravidez.

O desafio do diagnóstico

Vivemos, nos dias de hoje, um grande problema em relação ao diagnóstico da endometriose!

Estudos, em diversos países, incluindo o Brasil, mostram que existe uma demora acentuada entre o início dos sintomas e o diagnóstico definitivo da doença. A presença de sintomas sugestivos de endometriose, não associados a alterações do exame físico, pode estar associada a endometriose em suas formas iniciais (endometriose superficial).

Além dos sintomas específicos, é possível observar no exame físico, em casos de endometriose profunda e/ou ovariana, a presença de alterações muito sugestivas da doença por meio do toque vaginal, capaz de identificar a endometriose em aproximadamente dois terços dos casos. Em relação aos exames de imagem, diversos são os métodos utilizados para tentar estabelecer o diagnóstico da endometriose:

- Ultrassom pélvico transvaginal
- Ressonância magnética 
- Enema de bário de duplo contraste
- Ecoendoscopia baixa (ecocolonoscopia)
- Ultrassom pélvico transvaginal com preparo intestinal
- Urografia excretora

Assim como os métodos de diagnóstico por imagem, a videolaparoscopia diagnóstica também é considerada um importante método diagnóstico da endometriose.

A videolaparoscopia permite, em um só ato, confirmar o diagnóstico visual da endometriose, coletar amostras de tecido para realizar o exame microscópico que irá confirmar com certeza o diagnóstico de endometriose, e realizar a cirurgia para tratar a doença.

Como dissemos anteriormente, o exame ginecológico é o principal método de suspeita diagnóstica da endometriose profunda. A somatória dos sintomas colhidos durante a entrevista médica e dos sinais encontrados durante o exame físico, pode ser suficiente, em muitos casos, para estabelecer uma suspeita real da presença de endometriose.

O que fazer quando recebo o diagnóstico?

Primeiro é não se desesperar! Ter endometriose não significa que você não poderá ter filhos! Existem diversos graus da doença, localizações diferentes e, a medicina evoluiu bastante nas últimas décadas para poder ajudar estas mulheres, seja com técnicas cirúrgicas apuradas ou tratamentos de reprodução assistida!

Procure se informar em sites de conteúdos confiáveis e, depois leve todas suas dúvidas para um médico que entenda da doença.

Procure, por meio de exame de imagem conhecer o grau e a localização das lesões!

Esse é o primeiro passo para começar a entender o que acontece no seu caso e, quais as melhores alternativas para alcançar os principais objetivos do tratamento, que são o alívio da dor e a preservação da fertilidade!

Tratamento

A endometriose é uma doença que pode ter várias apresentações, portanto o tratamento é individualizado e proposto conforme cada situação específica dependendo da idade, do tipo da doença, sintomas e desejo de gravidez da mulher. As principais formas de tratamento são: o tratamento clínico medicamentoso, o tratamento cirúrgico e os procedimentos de reprodução assistida.

1. Tratamento Clínico: Controle com medicação

A primeira coisa que se deve esclarecer é que não existe tratamento medicamentoso para endometriose. Ela funciona com um propósito somente: melhorar os sintomas da endometriose. Cerca de 70% das pacientes medicadas apresentam alívio dos sintomas, caso a medicação seja suspensa, todos sintomas retornam e permanecem prejudicando a qualidade de vida da portadora da doença.

Os medicamentos podem ser, entre outros: progesteronas isoladas, pílulas anticoncepcionais combinadas, análogos do GNRH ou DIU de levonogestrel.

O tratamento por via medicamentosa deve ser considerado para mulheres que não desejam engravidar, já que todos os medicamentos são hormonais e têm ação anticoncepcional. Nesse grupo se encontram, mulheres em idade fértil que não tiveram filhos e não possuem desejo reprodutivo, pacientes adolescentes e mulheres que já tiveram filhos e que não desejam mais engravidar.

2. Tratamento cirúrgico

O tratamento cirúrgico é a única forma, até então, de se tratar a endometriose. Ele tem por objetivo aliviar a dor, restaurar a anatomia pélvica e melhorar a capacidade reprodutiva. O que se busca no procedimento é a eliminação de todas as lesões possíveis, para evitar a persistência da doença e diminuir as taxas de recorrência.

O tratamento é indicado para mulheres que possuem quadro de dor associado a desejo reprodutivo imediato, ou também para as que não experimentaram alívio dos sintomas com tratamento medicamentoso, ou mesmo que apresentem um quadro de evolução da doença, mesmo em vigência do tratamento medicamentoso.

Vídeo-laparoscopia - É uma técnica cirúrgica minimamente invasiva que permite identificar com detalhes lesões de endometriose que muitas vezes não são visíveis na cirurgia convencional.

Existem diversas vantagens quando comparamos a laparoscopia com a cirurgia tradicional. O tempo de hospitalização é de aproximadamente 24 horas, muito menor do que nas cirurgias tradicionais, e o retorno da paciente para as suas atividades rotineiras também é muito mais precoce.

Após a realização da laparoscopia existe risco de recorrência?

Após a laparoscopia, quando a doença está num estágio avançado, costuma-se indicar uma medicação para suprimir temporariamente a menstruação, durante três ou seis meses.

Mesmo com a cirurgia com a retirada de todos os focos de endometriose e um tratamento pós-operatório adequado a doença pode voltar. Por isso é importante acompanhamento periódico com médico ginecologista.

3. Tratamentos auxiliares

Emocional - Mulheres com endometriose convivem por muito tempo com os sintomas dor e/ou infertilidade. Isto faz que, com o passar do tempo, algumas alterações emocionais apareçam. A incidência de depressão e distúrbios de ansiedade são extremamente frequentes, estes fatos devem ser abordados e, se necessário, tratados em conjunto com a doença! O acompanhamento de um profissional da área emocional ( psicólogo ou psiquiatra) pode ajudar.

Fisioterapia - Mulheres com endometriose, sofrem com a doença durante anos até que o diagnóstico seja confirmado. Essa dor durante tanto tempo faz com que as mulheres procurem instintivamente posturas para amenizar a dor. Mal sabem que essas alterações além de não ajudar, pioram e perpetuam a queixa. Muitas mulheres depois de tratadas clinica ou cirurgicamente continuam sentindo dor. A boa notícia é que há saída. A fisioterapia tem diversos recursos para ajudá-la. Existem recursos como a cinesioterapia com movimentos específicos do corpo; liberação miofascial para mobilizar a fascia; eletroestimulação com correntes indolores que causam analgesia; pilates, RPG, termoterapia, etc.

Além da dor pélvica, a endometriose com freqüência leva a dor durante a relação sexual. Como o estimulo a cada relação é doloroso, a musculatura da vagina fica tensa diante de um estimulo nocivo. Essa tensão muscular pode também causar dor principalmente durante a penetração do pênis. A fisioterapia pode usar recursos para diminuir a dor.

Nutrição - São poucos os estudos que relacionam a nutrição á endometriose. Sabemos que uma dieta adequada é importante para todos e naquelas com endometriose algumas particularidades são relevantes. De um lado colocamos a alimentação (fonte de vitaminas, minerais, antioxidantes, fitoquímicos, etc) e do outro, colocamos nosso estilo de vida e situações do dia a dia (stress, poluição, ansiedade, medos, sedentarismo, tabagismo, etilismo, consumo de alimentos industrializados, etc).

O aumento no stress oxidativo do organismo, com aumento nos radicais livres circulantes, que no caso da endometriose pode levar à dor, com processo inflamatório instalado.

É importante que a mulher com endometriose procure ingerir, diariamente, alimentos fonte de vitaminas e mineral, buscar sempre o equilíbrio, investindo numa alimentação bem rica em nutrientes, com pratos coloridos, repletos de verduras e legumes, além de atentar ao consumo de frutas, alimentos integrais, sementes e castanhas.  Associar uma alimentação equilibrada a um estilo de vida mais saudável, certamente vai ajudá-la a alcançar uma melhor qualidade de vida!

A Endometriose não tem cura mas precisa ser encarada.

A procura de um médico especialista é a melhor opção para que a mulher tenha a dor minimizada e ganhe qualidade de vida, através de um tratamento adequado. Atenção: esse recado não é direcionado somente às mulheres, olhe ao seu redor e fique atento aos sintomas, caso reconheça algum deles, aconselhe a procura por um médico e colabore com o diagnóstico. Apoie esse movimento para a conscientização da Endometriose.

Para mais informações, www.sbendometriose.com.br.

Apoie este movimento

Referência: Sociedade Brasileira de Endometriose e Ginecologia Minimamente Invasiva – Acesso em 24.01.2020 ao https://www.sbendometriose.com.br/publico-sbe